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Primeira carta para um Angolano

Primeira carta para um Angolano

Meu amigo e irmão, filho da nossa mãe Angola, meu conterrâneo que estás fisicamente na Africa.
Aí nasceste, aí permaneceste nesse teu mundo e quem sabe sonhando sobre o que seria se tivesses ido viver para outros mundos...

Do meu lado do planeta digo-te já que não interessa onde vivas, o nosso mundo interior é o único que realmente tem importância.

Se conseguiste manter um mundo interior intacto apesar de todos os contratempos dos últimos 30 anos então conseguiste mais do que a maioria de nós que fomos viver para outros sítios.

Por aqui o frio aperta. Mas também não tenho saudades do calor e da umidade de certas alturas do ano quando aí estava. Por outro lado tenho saudades das chuvas e das trovoadas. E tenho saudades do chilrear dos pássaros pelas tardes... E do que sinto mais saudades ainda é mesmo dos aromas. O aroma do tabaco, do peixe seco, das goiabas, da terra quando molhada, das queimadas, da roupa de quem dormia nas sanzalas à beira da lareira... é mesmo! Ver fotos e filmes na internet não me satisfaz porque me faltam os aromas e serão eles que um dia me farão regressar à terra onde nasci.

Por falar em regressar... não te preocupes, não tens que preparar um quarto para me hospedares. Eu sei que nunca regressarei embora acredite que sim. Acredito que sim porque essa crença é o fio que me mantem vivo. O desejo de regressar um dia faz com que continue mentalmente vivo aguardando o momento de reencontro. Não quero estragar a esperança, que ela fique em mim até ao ultimo suspiro.

Não penses que sou melodramático, pelo contrário. Aceito a vida como ela é.
Mas de vez enquanto penso em ti. E tenho saudades. E te quero escrever, quero-te dizer que sinto a tua falta. Sinto-a porque tu e eu somos parte do mesmo barro, parte da terra vermelha que nos gerou. Tudo o resto são suposições. O barro que nos une é a única realidade que existe.

Saudações fraternais meu conterrâneo.

Se passares por estes lados não te esqueças de avisar para te poder dar um grande abraço

Teu amigo e irmão Tony Araujo

Estamos juntos...
Elan Ku Manqua! »

Original: http://www.mazungue.com/angola/index.php?page=Thread&postID=253894#post2...

Primeira carta para um Angolano por Tony Araujo

4 Fevereiro de 1961 surge na sequencia da luta dos antepassados

Angola Press:

Porto Amboim – O 4 de Fevereiro de 1961 surge na sequência da luta dos antepassados a qual remonta de 1484, altura em que os primeiros portugueses puseram o pé em Angola, tendo encontrado resistência por parte dos indígenas.

... Contou que uma vez vencidos nesta primeira batalha, se reorganizaram e voltaram a organizar outra revolta, em 1918, e uma vez derrotados definitivamente passaram a realizar ataques subversivos, forçando o regedor a solicitar ao governo de Luanda reforço militar e, em resposta criou-se a 7ª região militar no município do Amboim, província do Kwanza Sul.

...Para humilhar e intimidar os angolanos, as autoridades coloniais fizeram uma grande cova na fazenda Rosa Herera, no Coto, onde cada condenado era obrigado a sua própria lenha e a se atirar ao fogo, criando um mito de rebaixamento e medo no seio do povo”, realçou.

...
Ler mais: http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/politica/2012/1/5/Feve...

reportagem na angola press sobre o 4 de fevereiro
Termos Aplicáveis: 

Gabela quanto ela é bela

(Note: For an English version of this article please click on the pdf format on the bottom of this page.)
Gabela,
Sede do município de Amboim, na província do Kuanza-Sul, a
Gabela é dominada pelo verdejante morro do Cruzeiro, onde
permanece um velho fortim colonial português, fornecendo
ainda, na estrada que lhe dá acesso, o espectáculo natural
das quedas de água de Binga, no rio Keve.
Foi até aos anos 70 uma das mais prósperas terras angolanas
com as suas plantações de café, que chegou a ter títulos
de um dos melhores do mundo, e floresciam em fazendas
agrícolas constituindo verdadeiras povoações – propriedades
da então toda-poderosa Companhia Angolana de
Agricultura (CADA).
Nos arredores da Gabela, a escassos sete quilómetros,
situa-se a pequena vila Boa Entrada, antiga sede da companhia
CADA, que devido à produção do café (agora abandonado
e seco pelo tempo) era bafejada pelo Caminho de ferro do
Amboim (CFA), construído entre 1923 a 1941, com os comboios
a fazerem o transporte do fruto até Porto Amboim, no
litoral (antes era escoado por caravanas de nativos), com
destino à Holanda, Bélgica, Inglaterra e Estados Unidos.
Mas, segundo registos históricos, o objectivo inicial dos
colonos portugueses não era o café, pois os dois primeiros
homens brancos a chegarem à região em 1888, provenientes
de Porto Amboim, tinham como objectivo abrir uma empresa
de comércio de tecido, cera, marfim e borracha.
Posteriormente, comerciantes, missionários e militares portugueses
apropriaram-se das plantações de café dos nativos
da região, tornando-se em novos proprietários, o que provocou
várias e grandes revoltas. Reza a história que a primeira
revolta aconteceu em 1893, quando foram queimadas fazendas
de café e envenenados os patrões. As outras registaramse
de 1895 a 1896 e em 1917, o que obrigou grande parte dos
portugueses a refugiar-se em Porto Amboim.
Perante a queixa dos colonos de inércia do Governo português
face à denominada “fúria dos indígenas”, intervenções
militares conseguiram conter as revoltas, permitindo que
Norton de Matos, duas vezes governador de Angola
(1912/1915 e 1921/1923) abrisse estradas utilizando mão-deobra
indígena a golpes de enxadas, catanas e picaretas e edificasse
a vila Boa Entrada....
ler mais aqui (pdf): http://www.taag.com/documents/Austral81Sep_Oct10.pdf
Este texto foi originalmente publicado na revista da TAAG n.81 por Carlos Lousada em 2010

Cachoeiras da Binga Angola
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