Gabela quanto ela é bela

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Gabela,
Sede do município de Amboim, na província do Kuanza-Sul, a
Gabela é dominada pelo verdejante morro do Cruzeiro, onde
permanece um velho fortim colonial português, fornecendo
ainda, na estrada que lhe dá acesso, o espectáculo natural
das quedas de água de Binga, no rio Keve.
Foi até aos anos 70 uma das mais prósperas terras angolanas
com as suas plantações de café, que chegou a ter títulos
de um dos melhores do mundo, e floresciam em fazendas
agrícolas constituindo verdadeiras povoações – propriedades
da então toda-poderosa Companhia Angolana de
Agricultura (CADA).
Nos arredores da Gabela, a escassos sete quilómetros,
situa-se a pequena vila Boa Entrada, antiga sede da companhia
CADA, que devido à produção do café (agora abandonado
e seco pelo tempo) era bafejada pelo Caminho de ferro do
Amboim (CFA), construído entre 1923 a 1941, com os comboios
a fazerem o transporte do fruto até Porto Amboim, no
litoral (antes era escoado por caravanas de nativos), com
destino à Holanda, Bélgica, Inglaterra e Estados Unidos.
Mas, segundo registos históricos, o objectivo inicial dos
colonos portugueses não era o café, pois os dois primeiros
homens brancos a chegarem à região em 1888, provenientes
de Porto Amboim, tinham como objectivo abrir uma empresa
de comércio de tecido, cera, marfim e borracha.
Posteriormente, comerciantes, missionários e militares portugueses
apropriaram-se das plantações de café dos nativos
da região, tornando-se em novos proprietários, o que provocou
várias e grandes revoltas. Reza a história que a primeira
revolta aconteceu em 1893, quando foram queimadas fazendas
de café e envenenados os patrões. As outras registaramse
de 1895 a 1896 e em 1917, o que obrigou grande parte dos
portugueses a refugiar-se em Porto Amboim.
Perante a queixa dos colonos de inércia do Governo português
face à denominada “fúria dos indígenas”, intervenções
militares conseguiram conter as revoltas, permitindo que
Norton de Matos, duas vezes governador de Angola
(1912/1915 e 1921/1923) abrisse estradas utilizando mão-deobra
indígena a golpes de enxadas, catanas e picaretas e edificasse
a vila Boa Entrada....
ler mais aqui (pdf): http://www.taag.com/documents/Austral81Sep_Oct10.pdf
Este texto foi originalmente publicado na revista da TAAG n.81 por Carlos Lousada em 2010

Cachoeiras da Binga Angola

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